23 de setembro de 2010

Bala Mágica?

Observando a Teoria Hipodérmica pude conhecer o surgimento da ideia de manipulação, a partir do contexto histórico em que a teoria nasceu. Ao mesmo tempo que conheci, vi também os erros da “Bala Mágica”.

Como você sabe, os séculos anteriores ao nosso foram marcados pelas trágicas experiências totalitárias em que poucos dominavam muitos. Talvez pela ignorância da maioria, talvez pelo sentimento bélico da época, uma vez que o argumento girava em torno do pretexto de proteger o território onde moravam; ou até mesmo pela  soma dessas duas proposições. O Nazismo, por exemplo, se instaurou como uma espécie de religião; tanto que as regras “hitleístas” fizeram e ainda fazem a cabeça de muitos loucos por aí.

Mas o interessante é destacar que, na medida em que o tempo foi passando, o conceito de “massa”, como forma homogênea, também foi embora.  Na definição de Wright Mills, a Teoria Hipodérmica é sintetizada na afirmação de que “todo membro do público de massa é pessoal e diretamente ‘atacado’ pela mensagem”. No “atacado” de Wright está o X da questão. Hoje, todos nós sabemos que a conversa não é bem assim.

Cada um, mesmo em meio a uma multidão (massa) possui um jeito peculiar, uma personalidade distinta das outras e, por consequência, a liberdade para fazer escolhas e julgar o que é certo e o que é errado de acordo com sua experiência.

A cada dia que passa, mais se confirma o erro dessa teoria. O avanço das mídias e o crescente acesso às informações dão às pessoas a condição de ficarem ainda mais antenadas com os acontecimentos e, consequentemente, de formarem opiniões de modo mais bem esclarecido.

Kaio Cézar.//

 - E você? o que pensa sobre a Teoria Hipodérmica?

Mauro Wolf busca demonstrar que as pesquisas sobre a eficácia da comunicação trouxeram ao campo de análise 4 fatores que acabam por impossibilitar uma manipulação pura e simples das “massas”:

1) Interesse em obter a informação.
Escassez de interesse, apatia social, dificuldade de acesso à informação e outros fatores fazem com que uma grande parte da sociedade simplesmente opte por não tomar conhecimento de uma campanha. Há aqui um circulo vicioso: quanto menos uma pessoa conhece sobre um tema, menos ela procura se informar sobre ele.



 
2) Exposição seletiva
A idéia de “exposição seletiva” pode ser compreendida de duas formas: primeiro, as pessoas tendem a obter informações de veículos e programas que já fazem parte de sua rotina; segundo, quando “mudam de canal” ou “desligam a TV”, tendem a procurar informações que já estejam previstas em seu comportamento. Um adolescente, por exemplo, que esteja acostumado a passar o dia vendo a MTV, dificilmente será exposto a uma mensagem que circula no jornal “Valor Econômico”. Mesmo que ele resolva ler o jornal, optará por outro veículo que identificar mais apropriado a seus hábitos e linguagem.



3) Percepção seletiva
Ninguém é exposto a um meio de comunicação em estado de “nudez psicológica”. Os gostos, as predisposições e as idéias já formadas tendem a transformar o significado daquilo é lido, visto ou ouvido. Assim, uma matéria sobre o MST na VEJA não informa a todos da mesma maneira. Alguém que já é contra o MST irá concordar e aprovar o teor da matéria. Alguém que simpatize com o movimento verá na mesma reportagem apenas a confirmação de que VEJA é uma revista tendenciosa e mal-intencionada. Podemos dizer que, em casos mais sutis, é o próprio sentido da comunicação que se desloca de acordo com a expectativa do leitor. Assim, Titanic pode ser um filme de crítica social ou uma história de amor, dependendo que quem assistiu.



4) Memorização Seletiva
Ainda que o leitor seja exposto à mensagem e depreenda dela o significado esperado pelo emissor, não há garantias de que a mensagem se fixe em sua memória. Aquilo que será lembrado depende de características subjetivas do leitor e da própria organização da mensagem. Um estudo realizado, por exemplo, mostrou que, quando uma mensagem tenta levantar os “prós” e os “contras” de um assunto qualquer, há uma tendência maior à memorização dos “prós”.


 



Paulo Roberto

Diga lá...

Tudo bem? Quero convidar você a blogar com a gente. Em breve estaremos postando algumas de nossas idéias aqui no "Diga lá!".  Queremos fazer deste espaço um lugar onde todos possam pensar e discutir sob o olhar de comunicadores. Um abraço a todos!

Ah... e espalha pra galera aí, ok?

Diga lá!

Kaio Cézar.//